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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A MONTANHA



Prepare-se para atrasos, longas demoras, horas perdidas aguardando o voo num aeroporto lotado, onde mal há um lugar para sentar e ninguém da companhia aérea parece disposto a dar algum tipo de informação.

Prepare-se para lidar com um funcionário alfandegário que acredita que o título de "autoridade" lhe confere o direito divino de se comportar de maneira fria, rude, antipática, sem a menor sensibilidade com o seu natural nervosismo, indiferente ao fato que você viajou por muitas e longas horas e que está há outras tantas horas em pé numa fila, segurando casaco, mochila, uma criança pequena agarrada à sua mão, e procurando desesperadamente os respectivos passaportes que parece terem desaparecido dentro da bolsa.

Prepare-se para topar com uma barreira policial devido a um desabamento de uma ponte. Isso acabou causando um impedimento intransponível na estrada, e você será obrigado/a a reavaliar se deve aguardar por tempo indeterminado (pois ninguém parece saber o quanto vai demorar para liberar), se deve consultar o mapa, o GPS, o Google, o guarda rodoviário e se informar se há um desvio qualquer que possa ser usado, ou... desistir, dar meia-volta e retornar. Enquanto isso as crianças, no banco de trás, continuam perguntando, insistentemente: "Já tá chegando, pai?"

Prepare-se para enfrentar um/a rival no trabalho, que não perde oportunidade para humilhá-lo/a, apontar defeitos em seu serviço, levantar dúvidas sobre o seu caráter, empenho e dedicação à empresa e, além da prática desse bullying, ainda convencer os/as demais colegas a isolá-lo/a e até mesmo cooperarem com ele/a (seu/sua opositor/a) para que suas sugestões e opiniões sejam sumariamente descartadas e impedidas de serem usadas nas reuniões de trabalho com a gerência. Diga adeus à possibilidade de um reconhecimento ou promoção.

Prepare-se para a decepção de ter seu visto sumariamente recusado e assim perder a oportunidade (presente dos pais por ter terminado o Ensino Fundamental) de visitar aquele famoso parque de diversões no exterior. e ser impedido  de celebrar a formatura, com o Mickey e a Minie e toda a turma do colégio.

Prepare-se para o desafio de ter que aprender a guiar e enfrentar o exame de motorista, logo você que tem trauma de dirigir desde quando, ainda criança, estava num carro que sofreu um gravíssimo acidente.

Prepare-se para, ao voltar das férias, ser comunicado que foi demitido do emprego e, ao chegar em casa, ainda arrasado com a notícia, lhe aguardam, encima da mesa, todas as contas para pagar, inclusive a do cartão de crédito que, obviamente, foi "detonado" na viagem. Enquanto você pensa no que fazer, em como resolver aquela inesperada e terrível situação, como comunicar à família, enquanto se sente paralisado e sem ação, seu/sua companheiro/a lhe avisa que ligaram do banco para dizer que é preciso fazer um depósito urgente pois o limite da conta (também!) foi "estourado". Ah! E o dentista da criança também perguntou se podem quitar a parcela do aparelho, que já está atrasada.

Preparem-se para lamentarem não terem prestado mais atenção quando a MONTANHA, carta de número 21 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) apareceu naquela tiragem...

É difícil encontrar alguém que não atribua à uma MONTANHA uma caráter de força, de imponência, de grandiosidade, de respeito, de solidez. De algo distante, íngreme, de difícil acesso, desafiador, que está ali, em meio à paisagem, firmemente plantado no solo, ameaçadora e bela a um só tempo.

Quando essa carta aparece numa jogada, ela vem carregada dessas possibilidades interpretativas: frieza, resistência, adversidade, esterilidade, um impasse, uma oposição, algo estagnado, algo proibido, falta de flexibilidade, falta de jogo de cintura, indiferença, rejeição, uma recusa, uma negação, um poderoso e ríspido inimigo estacionado em nosso caminho, impedindo a realização dos nossos desejos e necessidades.

Mas, como essa lâmina nos fala de antagonismos (ao mesmo tempo que a MONTANHA está solidamente apoiada na Terra, ela se eleva para o Céu), ela também, dependendo, é claro, da pergunta feita e das demais cartas próximas, representar um grande triunfo, um sucesso duramente perseguido, uma conquista que pode ter nos custado sacrifícios, mas que acabou acontecendo. Até mesmo porque a MONTANHA não significa algo impossível, mas algo desafiador, que irá exigir do Consulente persistência, perseverança, manter uma atitude positiva, respeitar mas não se submeter nem se deixar intimidar, e lembrar que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Há uma sabedoria enorme contida nesses ditados que refletem a sabedoria popular, tantas vezes desprezada.

Pelas dificuldades que apresenta, pelos sacrifícios que requer, pelo desafio (às vezes mortal) que definitivamente é,  escalar uma MONTANHA pode ser uma representação simbólica da busca do conhecimento e elevação espiritual. Não querendo confundir ou comparar oráculos, mas dê uma olhada no Arcano IX do Tarot, o Eremita, e repare que, na maioria das ilustrações, ele se encontra isolado, retirado, silencioso, caminhando muito lentamente, mas obstinado, no alto de uma MONTANHA, segurando sua lanterna, em busca do auto-conhecimento, da iluminação interior, enfrentando o homérico desafio de reavaliar sua trajetória e considerar seus objetivos.
Quem se dedica seriamente ao desenvolvimento espiritual sabe as oposições que irá enfrentar, a resistência que irá sofrer, o esforço que terá de empregar para prosseguir em seu caminhar e rejeitar tudo o que possa impedir, bloquear, paralisar ou atrasar sua evolução.
A conquista do cume da MONTANHA pode ser lenta e dificultosa, mas como a Justiça sempre acontece, a recompensa certamente chegará.

Uma observação: podemos estender bastante o significado das cartas do Baralho Lenormand, mas devemos, também, respeitar o fato de que ele é muito objetivo, muito prático e inteiramente voltado para questões do dia a dia e para respostas que não sejam, necessariamente, filosóficas, ou eivadas de conteúdos ocultistas, místicos ou religiosos.
Partindo dessa premissa poderíamos dizer que a carta da MONTANHA também pode simbolizar numa leitura... uma montanha (!), um morro, um promontório, um lugar alto, elevado, uma enorme rocha, uma grande pedra, um cristal de rocha, e, especialmente nos países do Hemisfério Norte, neve, frio, gelo, geada, temperaturas em declínio, invernos extremamente rigorosos.
E, já que estamos falando de coisas mais corriqueiras, não nos esqueçamos de incluir geladeiras, freezers, alimentos congelados, geleiras para bebidas, ar condicionado e (talvez), o velho e bom ventilador.

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A TORRE


Antigamente, muito antigamente, quando ainda não haviam aviões e satélites, e muito menos drones, espionando do alto dos céus, as pessoas construíam TORRES para observar as estrelas (o início da astrologia e astronomia), observar o seu entorno, o horizonte, para saber se haviam, ou não, inimigos se aproximando.
As TORRES serviam para que os viajantes as avistassem na distância, pudessem se orientar melhor e soubessem que ali havia abrigo, proteção, um feudo, uma cidade-estado, um local com algum tipo de administração.
Serviam também, para marcar a entrada das cidades (os Arcos as substituíram) que eram fortemente muradas. Ali se procedia um controle de entradas e saídas, muitas vezes sendo cobrado algum tipo de valor. Além disso, do alto das muralhas e das TORRES é que os arqueiros e outros guerreiros ficavam numa posição mais vantajosa para responder aos ataques inimigos.
Concomitante a isso, foram sendo utilizadas para sinalizar que ali vivia, ou exercia sua profissão, alguém importante dentro daquela comunidade, além de servirem como prisões de onde, pela altura, era mais difícil fugir e de darem um significado de destaque às construções religiosas e governamentais. 

Proponho, agora, que peguemos algumas das ideias e imagens provocadas pelas múltiplas funções das TORRES na história, como acima descritas, e as usemos entre as possíveis interpretações da carta de número 19 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano):
Estar atento, vigilante, previdente em relação ao que possa vir a acontecer; manter a frieza, a cautela, a individualidade na formação de conceitos e ideias; estar atento às restrições, os limites e regras no intuito de manter a lei e a ordem; procurar manter o moral e a autoconfiança elevados, mas cuidar para que a autoestima, o Ego, também fiquem equilibrados; usar os recursos do isolamento físico, do silêncio e da meditação para "encontrar" seu verdadeiro Eu e cuidar da sua harmonização, do seu desenvolvimento espiritual.

Prefeituras, fóruns, universidades, escolas, igrejas, templos, fábricas, shopping centers, condomínios, arranha céus, todos os edifícios públicos podem ser "lidos" nessa lâmina. Evidentemente, as torres de controle nos aeroportos, os próprios aeroportos, os postos de pedágio, os postos de fronteira, lugares, enfim, onde se entra e sai da cidade, do estado ou do país e, até mesmo, os postos policiais nas estradas, são representados, numa tiragem, pela carta da TORRE.
Grandes monumentos como o Cristo Redentor, a Estátua da Liberdade, o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, o Portão de Brandemburgo, o Big Ben, o Coliseu, a Grande Muralha da China e o (felizmente já derrubado) Muro de Berlin, as Torres Gêmeas (destruídas durante um ataque terrorista) entre tantos outros, o centro das cidades, as capitais dos estados e dos países, são exemplos de construções físicas e simbólicas, marcos públicos que se destacam, caracterizam e individualizam as cidades ou países onde estão localizados e que também podem ser lidos através da carta de número 10 do Lenormand.

Devido à sua altura, as TORRES representam tudo o que é grande, importante, digno de reverência: as altas patentes militares; os títulos de doutores emitidos pelas universidades, o ensino superior; a hierarquia dentro de qualquer empresa, conglomerado, corporação ou instituição; os planos de carreira; o status socioeconômico e cultural de pessoas ou grupos; as nossas próprias aspirações, ambições e expectativas. E também é muito bom incluir tudo o que é pertinente ao sistema judiciário, desde os fóruns, os tribunais, os cartórios, passando pela figura de magistrados, promotores e advogados, até os documentos legais, desde os que compõem um processo até uma simples certidão, autenticação ou reconhecimento de firma. Tudo, enfim, que formaliza, dá caráter legal e atende às exigências burocráticas. Todas as filosofias, todos os sistemas religiosos, todas as ordens religiosas, todas as seitas, se enquadram, a nível interpretativo de leitura oracular, a essa carta.

Bom, se um dia as TORRES também serviram como prisão (prisões também são lidas nessa carta), vide a famosa Torre de Londres, que hoje abriga as jóias mais significativas dos reis e rainhas da Grã Bretanha, elas podem, num sentido muito mais pessoal, representarem situações de paralisação, de ausência forçada como acontece quando somos obrigados a ficar internados num hospital, ou em casa nos recuperando de uma doença, imobilizados após uma cirurgia ou fratura, ou, numa situação de saúde pública como uma quarentena. Mas também esse isolamento, esse afastamento identificado pela TORRE pode simbolizar algo mais negativo e isso ocorre quando ele se refere a uma situação de aprisionamento por sentença judicial,  mas também quando o indivíduo se afasta do mundo e de suas responsabilidades por uma uma questão de comportamento egoísta, arrogante, egocêntrico, discriminatório, de incompatibilidade social, de transtornos mentais (depressão crônica, autismo, Alzheimer, etc). Nunca se esqueça, por favor, que as únicas pessoas qualificadas para fazerem um diagnóstico e prescreverem tratamentos são exclusivamente os médicos, em suas diversas especialidades. Havendo a menor dúvida em questões de saúde, por favor dirija-se imediatamente a um médico.

E, finalizando: por analogia com a questão oficial, burocrática, governamental que a TORRE simboliza, até mesmo os feriados, as datas cívicas, de uma cidade ou de um país, podem ser apontadas por essa lâmina!

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.
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