terça-feira, 21 de junho de 2016

Exercício de leitura com 3 cartas Lenormand


Exercício de leitura com 3 cartas do baralho Lenormand (sem pergunta, sem carta tema ou assunto específico: use sua criatividade e intuição):
PÁSSAROS (12) + CRIANÇA (13) + CRUZ (36)
Como você interpretaria essa linha de 3 cartas?
(Baralho: “Esmeralda Lenormand”, por Karla Souza)

Possíveis Leituras:
Preocupação em relação a uma criança muito agitada. / Irmãos numa situação de risco. / Coral infantil de uma instituição religiosa. / Irmãos deprimidos ou abandonados.
Essas são algumas das possíveis interpretações que eu fiz desse conjunto de 3 cartas, entretanto devem haver outras possibilidades. Escreva, também, como você "lê" essa linha de imagens!

domingo, 19 de junho de 2016

Exercício com os Lenormandados



Exercício com um conjunto de 3 cartas/dados Lenormand (não foi feita ou pensada nenhuma pergunta, nenhum prazo para acontecimentos e nenhum tema específico enquanto se fazia a tiragem das cartas):
Lírio (30) + Ratos (23) + Chave (33)
(“Lenormandados”, criados por José Fernando Martins Oliveira)

Possibilidades interpretativas:


Tratamento para a perda de memória na 3ª idade. 
Uma diminuição entre os pensionistas ou entre os pedidos de aposentadoria.
Restauração de antiguidades.
A diminuição da libido na população idosa.

Sintam-se à vontade para opinarem e expressarem suas sugestões sobre essa combinação.

sábado, 18 de junho de 2016

Exercício de leitura e interpretação: Baralho Lenormand



Exercício diário com 3 cartas Lenormand (sem pergunta, tema, ou assunto):

Torre (#19) + Casa (#4) + Coração (#24)

(Deck: “The New York Lenormand”, por Robert Place)

Possibilidades interpretativas:
Um hotel preferido.
Um bonito apartamento ou escritório em um edifício.
Uma organização social, ou de caridade, dedicada a encontrar abrigo ou hospedagem para aqueles em situação de necessidade.
Refletindo sobre as relações dentro da própria família.
Sinta-se convidado a também postar sua interpretação sobre essa combinação de cartas!














domingo, 12 de junho de 2016

Tarot Lenormand x Petit Lenormand: semelhanças?


   Em 2006 a editora italiana Lo Scarabeo colocou no mercado um deck de cartas chamado "Tarot Lenormand" com desenhos criados por Ernest Fitzpatrick, trabalho gráfico de Pietro Alligo e livreto de instruções escrito por Alma De Angelis.
Se considerarmos que o sistema chamado "Lenormand" não é semelhante ao do "Tarot" e dele difere desde o número de cartas (36 e 78, respectivamente), à proposta simbólica (emblemas e arquétipos, respectivamente), uso (ou não) dos naipes para a interpretação das cartas, eu me pergunto: terá sido esse deck lançado exclusivamente para aproveitar a "onda" de entusiasmo que o Lenormand estava criando, especialmente junto aos cartomantes da América do Norte? Teria sido para criar apenas mais um deck "temático" que em lugar de se utilizar de imagens representativas de, por exemplo, monumentos e aspectos de cidades, personagens de histórias infantis ou folclore e misticismo de culturas diversas, estaria se adaptando, ou melhor, "adequando" as figuras do Petit Lenormand (e de outros oráculos, especialmente as Sibilas italianas) numa tentativa de compará-las ou assemelhá-las às tradicionais imagens do Tarot?

   Tenho esse deck há uns 10 anos e, honestamente, o que minhas pesquisas em fóruns e páginas da internet retornam é pouco diante da minha curiosidade a respeito. Considero-o um "híbrido": algo cujas figuras (algumas) causam estranheza quando usado como um tarot e que, ao mesmo tempo, não chegam a completar satisfatoriamente as 36 lâminas do Lenormand ou, até mesmo, das Sibilas ou dos chamados Baralhos ou Cartas Ciganas.
   Hoje, uma vez mais, resolvi "montar" uma sequência das 36 cartas do Petit Lenormand com as cartas do "Tarot Lenormand" e, confesso, continuo menos satisfeito e até mesmo um pouco frustrado com a ausência de uma correspondência visual, artística, pictórica, como queiram, de algumas delas, em especial as cartas do Trevo (#2), Casa (#4), Nuvens (#6), Buquê (#9), Cegonha (#17), Torre (#19), Montanha (#21), Livro (#26), Lírios (#30) e Peixes (#34).

   É fácil entender a substituição da imagem de um "Trevo" (dentro da chamada "escola europeia" de interpretação) pela carta comumente chamada de "Sorte (ou Dinheiro) Inesperada", comum aos decks de oráculos como as Sibilas e as Cartas Ciganas, pois afinal, independente do sistema oracular, essa carta é frequentemente interpretada como algo de curta duração, rápido, uma surpresa agradável, uma vantagem inesperada.
   A carta da "Casa" poderia perfeitamente ser a carta 10 de Ouros desse deck, não fosse o fato de que a única imagem de um Cão, em todo o baralho, se encontra nessa mesma lâmina. Optei, então, em usar o 4 de Copas, cuja imagem reproduz o interior de uma casa, imagem essa que também é comum a oráculos (ou sistemas, como preferirem) como o Kipper, as Sibilas e as Cartas Ciganas. A "Casa" representa não apenas nossa residência, local onde se agrega a nossa família, mas também nossos imóveis, nosso entorno, nosso jardim, vizinhança, bem como nosso abrigo e segurança e, além disso, nosso corpo, nosso "eu". A imagem do interior de uma residência pode representar aquilo e aqueles que nos são próximos, nosso espaço particular, exclusivo e, acredito, não estaria de todo longe do significado geral da carta de número 4 do Petit Lenormand.
   Ainda que um grande número de cartas do "Tarot Lenormand" traga nuvens nas diversas imagens de suas lâminas, nenhuma é especificamente similar à carta de nº 6 do Lenormand. Usei, para substituir ou significar, essa carta o Ás de Espadas pois, afinal, as "Nuvens" costumam se referir à questões racionais, assuntos que demandam o uso do raciocínio sejam eles escolhas ou mesmo uma situação menos clara, menos evidente, em que nos sentimos incapazes de enxergar com clareza todos os seus aspectos, o que nos causa confusão e estranheza. Não que eu considere o Ás de Espadas do Tarot semelhante à carta das "Nuvens", do Lenormand. Simplesmente era a imagem que tinha uma nuvem escura bem destacada e, até mesmo uma Espada apontando claramente para o lado obscurecido, enuviado, onde a possível confusão mental esteja.
   É interessante que nenhuma carta com o desenho de flores faz parte desse Tarot. Usei, para substituir o "Buquê", a carta do 3 de Copas, uma carta que também nos fala de alegrias, de graça, beleza, diversidade, coletivo, momentos agradáveis especialmente na companhia de outras pessoas. As figuras dançantes num jardim, dessa ilustração do 3 de Copas, não fogem totalmente à ideia do tradicional arranjo de flores usados para ilustrar a carta de número 9 do Petit Lenormand.
   Definitivamente não há nenhuma "Cegonha" no "Tarot Lenormand" mas, providencialmente, a carta 8 de Copas é ilustrada com a imagem de uma carruagem em movimento, bem como de um viajante que também segue a pé pela estrada. Mudança, transferência, relocação, pequenas viagens, passeios, são alguns dos atributos interpretativos da carta das "Cegonhas" que podem, também, serem vistos na imagem que o artista criou para ilustrar essa carta.
   Não gosto da imagem do Arcano XVI, a Torre, para ilustrar a carta nº 19 do Petit Lenormand. A "Torre" desse oráculo de origem francesa, tem significados bastante diferentes do que aqueles do Tarot. Enquanto no Tarot a Torre é sinal de uma profunda ruptura, de uma "queda do Paraíso", de uma grande tomada de consciência e mudança de condições, de uma situação radical e de efeitos nem sempre bem vindos, a "Torre" do Lenormand nos remete a conceitos como longevidade, tradição, hierarquia, burocracia, edifícios e monumentos públicos ou importantes, solidão, isolamento e, até mesmo prisão e hospitais.
   Montanha é o que não falta nas ilustrações das lâminas das figuras de Corte do "Tarot Lenormand", mas não são nunca protagonistas e se limitam a fazerem parte da paisagem distante. Para substituir essa poderosa imagem de obstáculo, de impedimento, inimigos, oposição, sérias dificuldades, optei pela carta do Pendurado (ou Enforcado, como queiram), Arcano XII do Tarot. Não sinto nele a mesma força, a mesma presença ameaçadora e desafiadora do emblema da "Montanha", carta nº 21 do Petit Lenormand, mas posso aceitar que compartilham muitos dos seus próprios significados.
   A única carta com a presença de um "Livro" neste deck "Tarot Lenormand" eu usei para representar a carta número 4 do Petit Lenormand, a "Casa". Portanto, a imagem mais próxima que pudesse traduzir o conceito de instrução, conhecimento, educação, cultura, inteligência, documentos, segredos e o que se encontra oculto foi a do Arcano VI, o Papa (ou Hierofante, como preferirem). Até mesmo a lâmina da Sacerdotisa (ou Papisa, Arcano II) não possui um livro, como é de costume, mas representa Mlle. Lenormand escrevendo uma carta, enquanto esteve presa por ordem de Napoleão. Na imagem que escolhi, a do Papa, o artista mostrou-o explicitamente exibindo um documento, ou seja, uma informação, algo que é preciso saber, tomar conhecimento, significados muito semelhantes aos que acompanham a carta número 26 do Lenormand.
   Como já escrevi, nenhuma flor em evidência nesse "Tarot Lenormand", ou pelo menos nada que pudesse ser usado como "substituto" do emblema dos "Lírios", carta de número 30 do Petit Lenormand. Na falta de uma imagem adequada, procurei aproximar significados e acabei por usar o Arcano IX, a anciã figura do Eremita, símbolo da experiência, da maturidade, moralidade, tradição, do inverno e da brancura tanto da neve como dos cabelos dos anciãos. Alcança todas as possibilidades interpretativas que a carta dos "Lírios" atinge? Creio que não mas, salvo melhor imagem (que, honestamente, pessoalmente fui incapaz de selecionar), ele pode representar essa harmonia, esse estar bem consigo mesmo que a alvura dos lírios representam.
   Finalmente, por mais que procurasse, não encontrei no "Tarot Lenormand" nenhuma carta que tivesse a imagem de, pelo menos, um peixe. Muito frequente em oráculos como o Kipper, as Sibilas, as Cartas Ciganas, a carta da "Fortuna" ou da "Sorte Grande", representada pela deusa que segura uma cornucópia transbordante de benesses, vantagens, riquezas, alimentos, etc. pode traduzir diversos dos significados mais comuns da carta de número 34 do Petit Lenormand, os "Peixes". A ideia de abundância permeia ambas as cartas, seja em lucros materiais, seja em fertilidade de ideias ou na multiplicação reprodutiva, e isso em muito as aproxima e pode, até mesmo, permitir que associemos ambas.

Tenho, porém, algumas (poucas) propostas de substituição das cartas por mim escolhidas nesse deck de "Tarot Lenormand" para representarem algumas cartas do Petit Lenormand.

A que, talvez mais me agrade para representar a carta nº 30, os "Lírios", seja a do Arcano XIV, a Temperança, onde a imagem do elefante nos remete à ideia de tempo, tradição, e os vasos interccambiantes, à da harmonia, paciência, equilíbrio.

 Talvez a imagem do 10 de Copas do "Tarot Lenormand", com as formas clássicas dos elementos arquitetônicos que fazem pano de fundo e apoiam a deusa Héstia, simbolizassem melhor a "Casa", carta 4 do Petit Lenormand, por compartilhar alguns aspectos simbólicos: segurança, estabilidade, permanência, a família, vida doméstica.

   Gostaria de lembrar que os naipes das cartas do "Tarot Lenormand" não influenciaram em momento algum na minha escolha (com exceção da Carta das "Nuvens"), baseada exclusivamente em imagens.
Também que essas minhas escolhas fazem parte de um processo pessoal de busca de entendimento de como um sistema tão bem definido, como o Lenormand, é "apropriado" e utilizado, sobretudo, como imagens das cartas do Tarot. Talvez essa "fusão" seja uma resposta à presença dos naipes do Baralho Espanhol ou dos Arcanos Menores do Tarot, na grande maioria das cartas do Petit Lenormand. Talvez...

   As opiniões e sugestões pertinentes ao assunto tratado nesta postagem são extremamente bem vindas e fico desde já agradecido por quem puder contribuir para melhor elucidar essas prováveis substituições imagéticas e simbólicas das cartas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A CRUZ


"Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, e não homem,
Só passou pela vida, não viveu."

Francisco Otaviano

E o Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) reserva para a sua última carta a imagem da CRUZ.
Seja representando deuses da antiguidade ou da união entre opostos, seja com o significado de ressurreição e regeneração ou para simbolizar a humildade e o sacrifício, fosse para expressar as forças centrípetas do espírito ou mesmo a reproduzindo a figura do homem com seus braços abertos como queriam os cabalistas ou, ainda, como símbolo do instrumento de tortura e do sacrifício do Cristo aceitando a própria morte para redimir os pecados da humanidade, a CRUZ se apresenta em diversas formas desde a antiguidade. Porém, se a forma pode diferenciar entre épocas e culturas, uma coisa permanece comum: a lembrança de que o sofrimento faz parte da trajetória humana.

A carta de número 36 quando surge numa tiragem costuma impressionar o/a Consulente que a associa à possibilidade de morte na família, de amigos, etc, esquecendo-se, talvez, que o que essa carta adverte é que uma prova, um desafio, que terá de enfrentar. Anuncia que uma provação qualquer irá testar sua coragem, sua fé, sua força e capacidade de aceitação provocando, ao final, uma transformação, uma mudança em sua maneira de pensar, sentir e agir. Diferente da carta do CAIXÃO, a CRUZ não é um fim, mas um rito de passagem ao qual nos submetemos e que, ao final, nos recompensa com mais um avanço rumo à nossa evolução. 
A CRUZ promete a dor, mas , através dela, a ressurreição e a regeneração.

A sobrecarga de trabalho que muitos de nós são obrigados a aceitar afim de sustentarem os seus. O verdadeiro suplício que é ficar ligado à máquinas num CTI a fim de garantir uma possibilidade de vida. A privação que tantos passam por terem suas casas, seus pertences arrastados pelas águas barrentas das enchentes e demais catástrofes. A culpa e o remorso que sentimos de não termos estado ao lado de um ente querido quando chegou seu momento de partir desta vida. A dor da mãe, desnutrida e depauperada, escondida sob uma marquise na noite da cidade grande, ouvindo seu filho chorar de fome. A vergonha sentida por todos aqueles que são humilhados publicamente por uma questão de preconceito. O desapontamento do pai idoso, vivendo num asilo, aguardando a visita dos filhos que parecem tê-lo esquecido. O arrependimento do criminoso ao saber-se condenado a viver o resto dos seus dias isolado. A ansiedade, o pesadelo vivido por pais ao verem seus filhos sob a mira da arma de um assaltante. O desassossego de quem perdeu seu emprego. O trauma e a dificuldade em aceitar um diagnóstico de uma doença considerada fatal.
Tantos são os exemplos, tantas são as vezes que confrontamos pessoalmente ou vimos nossos parentes e amigos passarem por situações problemáticas e opressivas onde as lágrimas, a mais profunda tristeza e o desespero desafiavam e negavam qualquer possibilidade de esperança...

Pagamentos atrasados, restrições no crédito, dificuldades econômicas, ambiente e condições ruins de trabalho, períodos de luta contra grandes obstáculos nem sempre com resultados positivos, são alguns episódios tão comuns vividos por tantos e, às vezes por tanto tempo, que o esgotamento nervoso e a mais completa exaustão física vêm somar-se às duras tribulações que já estão sofrendo.

Mas, como todas as cartas do Baralho Lenormand, a CRUZ também contempla significados mais positivos, desde que acompanhada de cartas transformadoras do seu simbolismo. 
Como exemplo podemos citar o trabalho caritativo, feito com benevolência, visando amenizar o sofrimento alheio. A gratificante possibilidade de cuidarmos das pessoas a quem muito amamos quando elas nos necessitam. O fato de podermos vivenciar com alegria e satisfação a nossa verdadeira vocação. As recompensas que obtemos quando cumprimos uma missão que desafiava todos nos nossos instintos de sobrevivência física, mental e emocional.

Esta lâmina também simboliza as religiões instituídas, as crenças, os dogmas, a fé e a devoção e, por conseguinte, também representa o seu oposto, ou seja, a mistificação, o charlatanismo, o fanatismo e a intolerância religiosa.

Quando, numa tiragem de aconselhamento, querendo saber como agir, o que fazer, como se suportar os momentos mais difíceis, mais desafiadores, mais turbulentos da nossa existência, a CRUZ pode servir para nos lembrar que não devemos nunca nos fazer de vítimas. Que se cairmos mil vezes, mil e uma vezes devemos nos levantar. Sermos cautelosos pois em momentos de problemas graves as decisões podem ser equivocadas. Não termos medo, nem vergonha, em pedirmos ajuda. 
E, por último: rezar, pois a comunicação com o Divino é o que alimenta o espirito, nos recupera as forças, apazígua nossas dores e abre nossos olhos para o novo dia que vem nascendo. Isso tem nome e chama-se ESPERANÇA.

OBS.: Com este texto termino minhas considerações pessoais sobre as 36 lâminas do Baralho Lenormand. Neste blog coloquei grande parte da minha vivência, dos meus estudos, da minha prática com as cartas e de como elas, instrumentos que são, colaboraram para que eu e outros encontrássemos respostas para nossas dúvidas e aflições.
Encerro, portanto, meu trabalho neste espaço, agradecido a todos os que um dia porventura o visitarem e encontrarem nessas minhas reflexões um testemunho da minha paixão pela cartomancia e um estímulo para os seus estudos.
Se, no futuro, sentir novamente a necessidade de me expressar, acrescentar, corrigir o que deixei nessas 36 páginas deste blog, o farei com a mesma boa vontade, humildade e encantamento com que procurei completar esta missão tão agradável e recompensadora à qual me propus.

Até!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A ÂNCORA


Difícil imaginar viver sem um lugar que pudéssemos chamar de "nosso", sem ter para onde ou para quem voltar. Desconhecer um porto seguro onde possa se sentir protegido e amparado.
Difícil imaginar viver sem acreditar em nada, sem confiar em ninguém, sem ter nenhum tipo de segurança, seja material, emocional ou espiritual.
Difícil viver sem ter um ideal, um projeto, um trabalho a realizar, sem nenhuma aspiração, sem nenhuma vontade.
Difícil, muito difícil, viver sem esperança...

A ÂNCORA, carta de número 35 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) é o símbolo de tudo o que nos equilibra e nos dá estabilidade. Exatamente por isso é que muitos cartomantes a veem como a carta que define o trabalho, a profissão, pois é na nossa ocupação principal que obtemos os recursos (dinheiro, reconhecimento, tranquilidade) que nos permitem criar as bases, estruturar os aspectos materiais da vida.

Essa carta nos fala de firmeza de caráter, de devoção a uma causa, de uma relação segura e estável, de força de vontade para atingir os objetivos. É permanecer firme em seus propósitos, leal aos seus princípios, inflexível diante das ameaças, determinado no cumprimento dos seus compromissos, corajoso e tenaz na superação das dificuldades, sincero e confiável em suas opiniões.

Quando em conjunto com cartas menos favoráveis, a ÂNCORA acusa uma dificuldade enorme em seguir em frente, em desapegar-se do que for necessário para o progresso pessoal. É quem se repete, que não renova, fica estacionado no tempo, no espaço e nas mesmas estruturas de pensamento. É o exemplo clássico do conservadorismo rançoso, de quem se apega à idéias ultrapassadas ou é vítima de crendices, superstições e movimentos religiosos radicais. É quem fica vivendo uma situação que já está extinta, persistindo na manutenção de um status que não mais possui, agarrado a um estilo de vida que não condiz com sua realidade e nem como o momento presente. Revela, também, pessoas teimosas, cuja insistência ultrapassa os limites do bom senso e da educação ou, então, aquelas cuja insegurança material ou emocional é percebida através da possessividade doentia. 
As dependências resultantes de carências, de insegurança, de baixa autoestima, bem como as de substâncias e todas as formas de vícios podem ser representados por esta carta. Pessoas que se auto-boicotam, criando inconscientemente ou deliberadamente dificuldades, situações impedidoras, bloqueadoras, evitando assim que atinjam seus próprios objetivos, podem ser sinalizadas numa leitura, desde que esse seja o tema da mesma e esteja acompanhada de cartas confirmadoras.
Num aspecto mais hilário, os acompanhantes indesejados, aqueles que servem de "vela", os "empata f...", também se encaixam muito bem na representação simbólica de "peso", de "grude", de "papagaio de pirata", de "chiclete" desta carta.

Podemos, também, relacionar a figura da ÂNCORA a estacionamentos, portos, ancoradouros, marina, praia, costa, enseada, Escola Naval, Marinha, ganchos, pesos de papel, anilhas, alteres e demais pesos usados em academias de musculação.

E, quando as Nuvens escuras encobrem o Sol e ameaçam roubar nossa autoconfiança, nossa Fé, nos resta o mais confiável e eficaz de todos os remédios, de todas as nossas armas de combate: a Esperança, essa que é "a última que morre", que está fincada no mais fundo da alma de todos nós e que nuca se cansa de nos repetir:

"Você pode!",  "Não pare agora!", "Lute contra suas dúvidas!",  "Confie!", "Persista!"

Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

OS PEIXES


Se o assunto é dinheiro, não há melhor, nem mais auspiciosa, carta que a de número 34 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano), os PEIXES, para representá-lo.
Diferente da carta do Urso, que simboliza o acúmulo e o poder que o dinheiro produz, essa é a lâmina que fala das formas e maneiras com que o dinheiro (e os seus derivados) entra em nossa vida.

Bens materiais, recursos valiosos, negócios dos mais variados tipos, transações econômicas, compra, venda, trocas ou permutas, a circulação da moeda, os diversos investimentos e aplicações financeiras que o mercado financeiro oferece, o nosso próprio salário e outros proventos, tudo isso constitui uma parte do escopo de significados possíveis dessa lâmina.

Comentamos esse símbolo todas as vezes em que: falamos da flutuação do câmbio; do luxo da decoração, riqueza de detalhes e fartura que foi a festa de casamento de Fulano com Sicrana;  de alguém que está afundado em dívidas; da generosidade do filantropo; do importante empreendimento imobiliário feito por um grupo de investidores; da notável expansão daquela cadeia de lanchonetes que começou com um simples carrinho de cachorro-quente; da necessidade em conseguirmos um capital de giro para iniciar nosso próprio negócio; a falência da empresa foi ocasionada pela produção que continuou excessiva num mercado que vivia uma fase de retração; da necessidade de vendermos um lote de ações para termos maior liquidez e podermos aplicar o lucro em novos mercados; em como Fulano de Tal é materialista. Assim como os PEIXES, o símbolo é fértil em significados e possibilidades interpretativas.

Podemos reconhecer, quando esse for o tema da leitura e com a ajuda das cartas próximas, profissionais  e pessoas que praticam determinadas atividades tais como: executivo (homem de negócios), financista, comerciante, importador e exportador, empregado, pescador, trabalhador, caixa de banco, vendedor de seguros, sócio, cambista, "testa de ferro", agiota, falsário, "lavagem de dinheiro", etc.
Essa carta também pode representar o trabalhador autônomo, o proprietário de um pequeno negócio, o empreendedor independente.

Aliás "independência" é também uma palavra e um conceito amplamente aplicado à lâmina dos PEIXES, visto esses animais terem um comportamento fluído, flexível, altamente adaptável, e independente. Possuem sangue frio e não formam casais, depositando seus óvulos e os abandonando para que qualquer outro peixe fertilizá-los. Essa "não constituição" de parceiros, de casais, faz com que, simbolicamente, sejam vistos como indivíduos promíscuos, sem grandes interesses amorosos.  Em leituras onde o tema é relacionamento, a carta pode representar compatibilidade entre as partes, ou que é um relacionamento aberto, ou mesmo que a relação corre de forma satisfatória. 
Entretanto os cardumes (fertilidade + quantidade) acabam por sugerir a ideia de família, de família numerosa, pois não devemos deixar de levar em conta, quando estamos interpretando essa carta, termos e possibilidades como: multiplicação, abundância, quantidade e muito

Quando acompanho de cartas negativas a carta dos PEIXES acaba incorporando significados bem menos agradáveis e desejáveis podendo representar a perda do status social de alguém,  uma falência, uma crise financeira numa empresa particular ou estatal e, mesmo, uma crise financeira de âmbito regional, nacional ou mundial; gula e avareza também podem ser identificadas entre seus aspectos negativos, assim como, por ser uma lâmina que tem o elemento água como cenário, afogamentos, naufrágios e inundações. Mas, como veremos a seguir, pode ser o símbolo da pobreza tanto moral quanto espiritual.
Outras significações também podem ser extraídas dessa carta: água, rio, lago, mar, sede, hidratar, alcoolismo, nadar, praia, pescaria, equipamento de pesca, restaurante especializado em frutos do mar (incluindo os populares sushis e sashimis).

Os PEIXES, desde o início do Cristianismo, foram identificados com a figura do Cristo, do "pescador de almas", cuja palavra fértil produziria, através destes 2.000 anos, um "cardume"de grandes proporções. Devemos pensar que a pesca é uma das atividades e comércio mais antigo que conhecemos e a base da economia de muitas sociedades e nações inteiras. Os PEIXES eram fontes primárias de alimento e, portanto, uma questão de sobrevivência para muitos. 
Quando os primeiros colonizadores chegaram à América do Norte, algumas tribos indígenas mais amistosas os ensinaram a enterrar peixes mortos junto com as sementes que trouxeram, o que acabava sendo um fertilizante natural. Inclusive a ideia de "ressurreição" também pode ser vista nesse ato onde a Vida nasce da Morte.
Podemos então compreender o uso da figura dos PEIXES como símbolo cristão, inclusive algumas vezes representado carregando uma cesta de pães a simbolizar a necessidade de alimentar-se o corpo e, também, o espírito.

Nesse sentido, essa carta, quando extraída como um conselho. estar a nos lembrar que devemos confiar no Espírito e nos abandonarmos a Ele. Que muitas vezes é preciso ter-se a sabedoria de deixar-se levar pela  correnteza, não sendo significativo e nem valendo a pena nadar contra. Isso pode ser interpretado como uma atitude passiva, de total desrespeito ao próprio livre arbítrio, de preguiça ou indiferença. Mas há ocasiões em que o fluxo dos acontecimentos, ainda que num primeiro momento contrariem nossa vontade, acabam conduzindo para uma mudança positiva e, certamente, muito mais vantajosa. 
Lembram-se da letra da canção que diz: "Deixa a Vida me levar, Vida leva eu..." ? Pois é!



Lembrando sempre que esta postagem, como todas as demais feitas por mim, não pretende ser uma "regra", uma "fórmula" a ser copiada ou aceita, mas, simplesmente, a minha inspiração e conhecimento técnico, no momento da escrita, ao comentar alguns dos aspectos interpretativos da carta.

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